Isso que chamamos, talvez por engano, de Amor

Isso que chamamos, talvez por engano, de amor é nosso reencontro com Caio Fernando Abreu, poeta das palavras que tanto nos encanta. Dessa vez nos embriagamos de sua escrita para chegar a outro lugar, outro texto. Os primeiros passos foram dados através do conto Para uma avenca partindo do livro O Ovo Apunhalado, em seguida veio Do Outro lado da tarde, do mesmo livro, e depois vieram as impressões do livro Morangos Mofados. Vimos que o amor, nosso assunto, estava presente em ambos os contos  e traziam os protagonistas em situações diferentes: um não consegue expressa-lo, o outro, não sabe se o vivenciou verdadeiramente.
A incomunicabilidade, o vazio, o por dizer, o silêncio, o desejo contido ou escondido, o não pertencimento, a fragilidade dos sentimentos, o cotidiano... tudo isso causa mofo nas relações. A imagem do mofo nos remete à idéia de dissolvição, ou seja, algo semelhante à anulação, extinção e desaparecimento da matéria, à finitude de algo esquecido no tempo, que funciona como cenário para todo um processo de apagamento do homem, que feito “o bolor nas paredes de um quarto deserto”, deixa-se vencer pela ausência do amor.
E assim, construímos textos e imagens dialogando com os ambientes de uma sala de um prédio comercial no centro de Belo Horizonte e depois com a sala de um apartamento no bairro Santa Efigênia, pois nos interessa estabelecer o lugar teatral onde o texto sugere.
Servimos-nos de princípios básicos da mímica corporal de Etienne Decroux e de elementos da dança contemporânea para imprimir um corpo vivo e poético, através de um treinamento que, além de trabalhar o aspecto físico e mecânico, trabalhasse o universo interior do ator e seus canais de comunicação.

Concebemos nosso espetáculo alimentando de nós mesmos. De nossas perdas e separações. Nossas experiências, nossas lembranças, nossos arquivos (cartas, músicas, postais,...) guardados em gavetas e caixas, e nossas dores, que nos acompanharam durante todo o processo, como que sabendo que o que estávamos construindo era parte inseparável de nossa própria história.

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