Sobre A DONA DA NOITE na visão de Adilson Marcelino.

Na sexta, no La Movida, duas micropeças de um mesmo universo, ainda que cada um com um tônus completamente - mas só aparente - diverso do outro. Sem querer ser arrogante, mas preciso dizer que nesses 26 anos de assessoria de imprensa cultural, e, mais notadamente, nos últimos 17 anos, trabalhei em muitos dos espetáculos mais bacanudos dessa cidade. E, dentre eles, "A Dama da Noite", com Carloman Bonfim em cena e direção de Fábio Furtado, é um dos meus do coração - como é "John e Joe", do Trama, e outros. Pois bem, Carloman retomou o universo de Caio Fernando de Abreu na micropeça "A Dona da Noite", trazendo elementos do espetáculo anterior, só que com dramaturgia outra, com acontecimentos da bárbarie para qual a humanidade caminha, como o linchamento de Dandara. Que paulada! Fosse Carloman mergulharia cada vez mais nesse universo, pois, como antes e agora, é um artista em sua função máxima: aborda, fala, emociona, reflete, aponta.
Ainda na sexta, logo em seguida da paulada, foi a vez do encontro com "O Cabaré da Marta", espetáculo despudorado, de verve inteligentíssima, e que faz a gente rir até pelos cotovelos. Cleo Magalhães é Simplesmente Marta, no que ela tem de mais exposto, mais solitário, mais doído - Marta é daquelas que, nos faz pensar, a mim, que a qualquer momento saltará da janela -, e, não paradoxalmente, mais hilário. E visto assim, depois de "A Dona da Noite", pra também rir de desespero. Pois o desespero está nas duas. Pois a Dona da Noite e a Marta são, cada qual em seu registro, seres pulsantes, políticos, sexuais, e de tão alta potência que são como antídotos de enfrentamento para esse atual banzo nosso - meu - com esse Brasil desolador. São, como a mais amada ambulante das ruas da BH - pelo menos pra mim -, aquelas que gritam. São "Giz Chinês", Pois se não matemos, de fato, esses bandidos, esses lixos, essas baratas que acabam com o Brasil a cada dia um pouco mais, pelo menos ainda ouvirão nossos gritos. Estamos desolados - e eu como nunca estive - , mas ainda somos multidões de "Giz Chinês".
(Esse texto faz parte de uma postagem do Assessor de Imprensa Adilson Marcelino em sua página no facebook. Ele cita outros espetáculos e outros artistas. Aqui, escolhi o trecho no qual ele fala de A DONA DA NOITE)

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